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Semed e Semasc realizam debate sobre a cidadania LGBT em escola

16/05/2017 - 21h55
clique para ampliarGeovana Soares e Linda Brasil mediaram o debates sobre o combate à LGBTfobia (Fotos: Ascom/Semed)
clique para ampliarElisa Pereira voltou a estudar após dois anos fora da escola pelo preconceito que sofreu
clique para ampliarO diretor adjunto, Claudio Brito, destacou a importância de levar esse debate para a Emef
clique para ampliarGeovana Soares falou sobre o respeito à igualdade que deve ser fomentado no ambiente escolar

Equidade com as questões de gênero e identidade é uma questão que norteia as ações da nova gestão da Secretaria Municipal da Educação (Semed). Em parceria com a Secretaria Municipal da Assistência Social (Semasc) e com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), a Semed realizou, na noite de terça-feira, 16, no auditório da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Juscelino Kubitschek, um debate sobre a Cidadania LGBT para professores e estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Para mediar o debate foram convidadas Geovana Soares e Linda Brasil, mulheres transexuais, representantes do Coletivo de Mulheres de Aracaju e da direção da Associação e Movimento Sergipano de Transexuais e Travestis (Amosertrans). Geovana Soares exibiu um trecho de um espisódio do seriado americano Sense 8, nele a personagem Nomi Marcks, mulher transexual, conta os dramas que enfrentou no ambiente escolar com a violência e o preconceito dos seus colegas, Nomi teve seu corpo queimado com água quente no vestiário da escola quando ainda era criança.

Elisa Pereira de Andrade, aluna da segunda etapa do EJA, é uma mulher transexual que há dois anos abandonou a escola porque não aguentou o ambiente hostil que cerceava seu direito de estudar. Voltou a estudar em 2017 e diz que apesar da situação estar melhor, ela ainda sofre preconceito. "Eu sofri tanto preconceito que abandonei os estudos em 2015 e só voltei esse ano. Nunca sofri violência física, como passou no filme, mas eram brincadeiras que me agrediam, comportamentos que me excluíam, então eu sei o quanto é importante que esse debate esteja na minha escola hoje", afirmou.

A representatividade é uma questão basilar para se garantir a igualdade de gênero e foi Victor Charles, aluno do oitavo ano, que percebeu a importância da presença de Linda e Geovana mediando o debate. "Eu acho importante que essas mulheres transexuais tenham vindo porque aqui na escola, nós temos três colegas que são travestis e devem sofrer preconceito, então com essas convidadas elas estão representadas nessa debate", enfatizou.

Já o aluno do nono ano, Daniel dos Santos, disse que nunca tinha visto um debate como esse em sua escola e avaliou que "foi muito importante porque tem muitos alunos aqui que a gente sabe que são preconceituosos e que estão tendo oportunidade de aprenderem mais sobre as diferenças. Os que não vieram vão saber, porque é um assunto que é de interesse de todo mundo e mesmo que seja para ser contra, os outros alunos vão querer saber", analisou Daniel.

Para a diretora da Amosertrans, Geovana Soares, a ocupação do ambiente escolar com um debate como esse é fundamental para uma mudança social. "A escola é o ambiente onde muitos adolescentes passam uma boa parte do seu dia, aqui eles constroem relações, aprendem e colocam em prática a cidadania, então é fundamental que estejamos aqui hoje tratando do combate à violência contra a população LGBT", argumentou.

O diretor adjunto da EMEF Juscelino Kubitschek, Claudio de Brito, também chamou a atenção dos presentes para a importância da reflexão constante sobre as questões que envolvem a equidade social. "Hoje é uma dia muito importante porque estamos discutindo sobre uma realidade. Esse espaço é de fundamental importância para que sejam tiradas dúvidas a fim de se respeitarem mais. Todos querem ser respeitados então esse espaço vai nos ajudar a alcançar esse fim", reiterou.

1ª Semana Municipal da Cidadania LGBT

Em 17 de maio de 1990, a Organização Mundial da Saúde retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças. Esse feito foi um marco na luta pela cidadania da população LGBT. Em alusão à data, a Prefeitura de Aracaju está promovendo a 1ª Semana Municipal da Cidadania LGBT, com discussões, oficinas e várias atividades que promovem a conscientização e a formação no que concerne a equidade social.

Em Aracaju, desde 2010, a Câmara Municipal aprovou a lei de n° 3.963/2010 que estabelece o uso do nome social de travestis e transexuais em todos os registros municipais relativos aos serviços públicos sob sua responsabilidade, como fichas de cadastro, formulários, prontuários, registros escolares e outros documentos similares e essa foi uma importante conquista para a cidade.

O diretor da Educação Básica da Semed, Manuel Prado, avaliou que data de hoje deve ser um dia de "reflexão e luta". Para o diretor é fundamental que a democracia social seja discutida e posta em prática nas bases. "Não podemos deixar que o conservadorismo e a falta de respeito às diversidades avancem. O nosso compromisso é com o respeito e a valorização das diferenças", afirmou.

A representante da Coordenadoria da Equidade Social da Semasc, Laila Oliveira, explicou a importância da luta e do combate a todas as formas de preconceito. "Todas e todos nós em algum momento da vida já fomos vítimas de preconceitos, então é importante que a gente reconheça onde está o nosso para combatermos em nós e na sociedade que vivemos", avaliou Laila.

Desde o dia 15 de maio os órgãos públicos da Prefeitura de Aracaju receberam cartazes, para que os/as servidores/as públicos/as respeitem esse direito e garantam a cidadania de travestis e transexuais.

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